Fátima Alves-Alma sensível e Poetisa da Caatinga

Poesias e prosas(sentimentos à flor da pele)

Textos


Quando o ninho se esvazia...
É horrível, a gente sentir a sensação de que o nosso ninho, lugar que tanto gostamos, logo,logo, ficará vazio... muito embora, ele continue ainda, cheinho das mais belas recordações. Essa nova etapa da vida, nos traz várias interrogações, medos e mudanças em diferentes aspectos. Ela geralmente, nos desequilibra por dentro, nos fazendo sofrer durante um certo tempo, até que tudo seja simbolicamente elaborado e ressignificado. Após esse turbulento período, havemos alcançado portanto, um grau de maturidade necessário para entendermos que estamos vivenciando o cumprimento de uma etapa da vida, onde somos obrigados(as) naturalmente, a fazermos a passagem para uma nova etapa, na qual entraremos no início de um novo ciclo... e este por sua vez, culminará com o fim de nossa existência na terra. Logo, entendo, que a chegada desta nova estação ao meu ver, nos abraça e nos convida para uma transformação espiritual, num processo evolutivo de despreendimento material e crescimento interno na sabedoria do amor.
Para uma melhor compreensão da grandeza deste fato, normal e real na vida de quase todas as pessoas, vamos voltarmos ao ninho dos nossos pais e lembrarmos daquela época, quando o deixamos, pois esse processo, sempre será repetido para dar lugar ao dinamismo da vida familiar, inclusive na maioria das espécies animais.
E o quadro de construção e desconstrução dos ninhos sempre se repete...
Um dia, a gente, geralmente em meio a juventude, sente que é tempo de deixar o ninho dos nossos pais, e aí, planejamos e arquitetamos o projeto para a construção do nosso próprio ninho. Nesse momento, estamos tão confiantes e alegres, que nem percebemos, o tamanho do vazio que a nossa ausência vai deixar naquele antigo ninho. Nem tão pouco, como a família sentirá e suprirá essa falta. Nesse tempo, ainda não temos amadurecimento suficiente para pensarmos e sentirmos essas coisas. E esse tempo, só chegará a ser de fato sentido... quando for chegada a nossa vez, pois pela força e compreensão do amor... Teremos que permitir e ajudar no vôo dos nossos filhos. Agora sim, sentiremos o que os nossos pais sentiram.
E exatamente, por ter chegado a minha vez, resolvo contar o que venho sentindo e que hoje compreendo com clareza. Um dia fizemos um ninho, ele era tão singelo, e de início não estava de acordo com o projeto desenhado. Mas era nosso ninho...que ano, após ano, íamos dando a ele, o perfil do nosso projeto. Mesmo ainda no início, quando o ninho, não atendia as características idealizadas, resolvemos gerar nossos filhotes, e vieram como presentes sagrados de Deus, um lindo casal. Tão lindos eram, que esquecemos as carências do ninho... e o amor supriu todas as faltas. O ninho era singelo e simplesmente belo! E enquanto tentávamos melhorar a construção do ninho para nossos filhos, eles cresciam e a gente nem percebia, pois a felicidade era tamanha, que nos negávamos a acreditar que estava se aproximando o momento dos mesmos voarem... e talvez, pra bem longe.
Um dia, terminamos a construção do ninho desejado. Ele ficou muito lindo. Tinha exatamente, tudo que pensamos para eles. Esse ninho era alegre, aconchegante e singular. Composto pelas características de nós quatro. Aí mudamos para o novo ninho! E todos nós ficamos felizes, onde desfrutamos coletivamente da vivencia de um breve tempo inesquecível, pois nesse período, a princesa da casa decidiu que estava pronta para voar e construir seu próprio ninho. Assim aconteceu...ela voou para muito longe... e foi construir seu ninho em outro continente, onde hoje estar vivendo.
Com o voô da nossa princesa, o ninho ficou grande demais, a alegria diminuiu, os problemas também. E a vida mudou bastante. depois da sua ida, já percebemos que nada suprirá a falta da mesma, porque cada filho é único, em todos os sentidos. Porém, sabemos que isso, é um processo natural e que o nosso príncipe também, irá voar e torcemos que seja pra perto, mas pode não ser... O mesmo, já estar se preparando e esse fato, com certeza, deixará um vazio maior ainda.
Mediante essa rápida mudança em nossa vida, vivo a refletir e tento elaborar subjetivamente essa separação, que embora normal, a gente sofre e se desequilibra, mas encontra outras formas de preencher o vazio deixado pela ausência dos nossos filhos. Há dois anos, nosso ninho é silencioso, não tem mais a presença de adolescentes, não há brigas bobas, gritarias, nem som alto. Já não fazemos mais bolos, tortas, pipocas, pudins, lasanhas etc, pois não há quem coma, porque o príncipe que se prepara pra voar, prefere sair com a noiva e nós entendemos perfeitamente e ficamos felizes. Também, não temos mais colégio pra pagar, nem eventos escolares pra assistir e não nos preocupamos com reuniões e boletins de notas. Porém, até que venhamos a nos acostumar com essa calmaria, queremos dizer a todos os pais e aos jovens, que nada é mais gratificante para nós, do que ter tido o privilégio de vivenciar o crescimento de nossos filhos e enfim, vê-los podendo voar livremente. Mas ressaltamos que por muito tempo, ou quem sabe, até que cheguem os nossos netos, haveremos de sentir falta e saudades de todos os momentos vividos. E aqui deixamos o nosso sempre eterno agradecimento A Deus, aos nossos pais e aos nossos filhos amados, motivo de nossa eterna felicidade.
***
Maria de Fátima Alves de Carvalho/ Poetisa da Caatinga
Natal, 11.01.09
Texto dedicado a:
Meus filhos:
Espedito Segundo e Ana Sara
Meus pais: Pascoal Batalha e Maria Jacira
Meu esposo: Emanuel Milhomens
Texto publicado no meu 5º livro "Palavras de Luz..."
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Enviado por Maria de Fátima Alves de Carvalho em 11/01/2009
Alterado em 08/06/2020
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